ENTREVISTA/Alex Martins



17 anos separam a vida do pernambucano Alex Martins no Brasil - seus compromissos com patrocinadores e competições - do seu "modus vivendis" californiano, em frente a um dos picos mais temidos e cobiçados do mundo: Mavericks. Por lá, conquistou respeito. É o Brasil dentro da água que os estrangeiros abrem passagem, respeitam. Hoje, vive do que gosta. Conserta pranchas, viaja, tem uma vida de casado estável. É o sonho que se transformou em realidade (Fotos: acima/BO - no topo/Fred Pompermeyer).
A seguir, a entrevista concedida ao Surf Is In The Air:

REDAÇÃO - Quando e onde e como você começou a surfar?ALEX MARTINS - No Recife, em 1982. Na época tinha 12 anos. E tudo aconteceu por influência dos meus amigos.

REDAÇÃO - E participava de competições? Quem eram os seus parceiros daquela época?
ALEX - Comecei a competir em campeonatos realizadas nas praias de Maracaípe, Cupe, Gaibu... E me mudei para o Guarujá, em São Paulo, onde me aprofundei até me tornar profissional. Pude participar de vários campeonatos pelo Brasil e alguns no exterior. Da minha época eram o Sávio Carneiro, Eduardo Fernandes, Augusto Godói, Jamesson Sales, Rodrigo Trajano, Zé Radiola, Fábio Quencas, Carlos Burle, Eraldo Gueiros e muitos outros.

REDAÇÃO - E a decisão de se mudar para a Califórnia, como se deu?
ALEX - Estava cansado de viajar, correr atrás de campeonatos e depender de patrocinadores, que, sabemos, só te dão valor quando você está ganhando, quando você começa a perder, começam a te ameaçar. Decidi me mudar para São Francisco, Califórnia, por incentivo de alguns amigos que já moravam lá.

REDAÇÃO - Como foi sua chegada por lá?
ALEX - No começo, foi muito difícil, muita ralação e muitas experiências novas. Mas graças a Deus nós pernambucanos somos guerreiros e não desistimos fácil. E aqui estou morando por mais de 17 anos.

REDAÇÃO - Você sempre está em Mavericks, entre os locais. Hoje pode se considerar um local do pico?
ALEX - Eu sempre surfo lá quando quebra. Geralmente, a temporada começa no final de outubro e vai até o meio de abril. Eu nunca falo para ninguém que sou local, porque querendo ou não sou só um brasileiro que está morando num país diferente, mas todos os locais têm muito respeito e muito carinho comigo e me deixam muito à vontade.

REDAÇÃO - Como é a sua vida nos Estados Unidos? Vive do Surfe?
ALEX - Não vivo do surfe! Mas graças a Deus tenho meu próprio negócio. Tenho uma oficina de conserto de pranchas de surfe e, com isso, tenho a flexibilidade para surfar e viajar sempre que quero.

REDAÇÃO - Como você pode explicar o fato de Pernambuco, um Estado que recebe ondulações apenas medianas, fabricar tantos big riders?
ALEX - Acredito que na vida tudo é possível, só depende de você. Com muita garra, muita dedicação, e muita força de vontade, você conquista o que quiser. E acho que o pernambucano tem isso de sobra.

REDAÇÃO - Quais suas metas nos próximos anos?
ALEX - Quero continuar surfando Mavericks por muitos e muitos anos, se Deus quiser. E quero fazer algumas viagens para conhecer outras ondas diferentes.

REDAÇÃO - Que quantidade de Pernambuco tem em Alex Martins?
ALEX - Tenho 100% de Pernambuco no meu coração, pois foi o Estado onde nasci e nunca vou esquecer. Tenho orgulho de ser pernambucano. Pois o pernambucano é um povo que tem muita raça e um coração enorme.

REDAÇÃO - Você tem vindo para o Brasil? Surfa aonde?
ALEX - Procuro ir todos os anos e adoro surfar Serrambi, em Ipojuca, onde tenho uma casa de veraneio.

Comentários

  1. Gostaria muito de conseguiro contato de Alexandre, pode ser?

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